Docelândia - A corrida num Parque SEM diversão
Doces: de todos os tipos, de todas as cores e sabores. Que sonho!
Não, um pesadelo. Algo que era pra ser tão prazeroso para alguém que tem transtorno alimentar, se torna algo terrível, cruel.
Sempre gostei de doces. Brinco dizendo que gosto dos "doces, doces!", tentando sinalizar pras pessoas que quanto MAIS doce, melhor.
Mas quando a ansiedade chega, é como estar numa montanha-russa sem fim. Soooobe: energia lá em cima, treino em dia, alimentação também. Criatividade, textos, ilustras, projetos, nossa! As 24 horas desse dia são poucas pra tanta adrenalina. Quanta produtividade!!
E quando o carrinho dessa mesma montanha-russa desce? Pois é...ele vai pra uma passagem secreta, especial pra quem tem transtorno alimentar. Vai pro subterrâneo, vai mais fundo.
E é um lugar escuro, com um silêncio ensurdecedor.
Então você vai passando pelo "Túnel dos Doces". É só o que vem no seu pensamento...DOCE! Já imaginou? Uma galeria repleta dos seus doces favoritos. Faz você se sentir na fábrica do Willy Wonka...ou numa gaiola como diz o conto de João e Maria, quando a Bruxa os prende naquela casa com aparência de doces. Ao entrar, Maria tem que cozinhar sem parar e João, preso na gaiola, comer sem cessar!
E como é que faz pra parar? Não faz.
"Que vontade de comer doce!", com a ansiedade atravessada, esse é o único pensamento que você consegue ter. Só isso! Mais nada!
Aí tem dois caminhos: não comer os doces, mas sentir uma inquietação indescritível, tirando toda sua concentração, controle e disciplina. E vem...vem taquicardia. Angústia. Pura ansiedade!
Ou comer...comer! Comer os doces e em dois ou três minutos depois, se arrepender por que comeu.
Fica triste por que comeu, come por que ficou triste. Aí come de novo!
Dava até pra rir, se não fosse algo tão doloroso.
Sensação de ter colocado tudo a perder. Sentimento de derrota, de fraqueza!
"Pô, de novo isso...que saco!".
E no placar da "vida regrada" são 1000 pontos para a Docelândia, mais 1000 para Ansiedade e 0 pontos pra você.
"Perdeu, perdeu!!", é o que elas te dizem, jogando na sua na cara, sem dó!
A terapia semanal tem ajudado. Os antidepressivos também. Talvez mudar a dosagem, mas só o médico vai te dizer se é isso mesmo.
A instabilidade emocional, junto com questões existenciais de "Qual minha missão? Estou aqui pra realizar o quê?", tudo isso faz um combo com um coração partido, somado a um mega bloqueio criativo. Que mistura, hein?
Qual a solução? Não sei se tem, mas vou calçar meu tênis e sair pra correr. E aqui com vários significados: correr da situação, correr pra esquecer, correr pra vencer a mim mesma, pois sou eu que sinto tudo isso, então sou eu que tenho que resolver.
Mas será mesmo que eu consigo resolver?
Não sei...só sei que vou correr!
Fabiana Flôres
