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“De Fabiana, Para Fabiana” - Como me resgatei com cartas que escrevi pra mim

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Dia 19 de janeiro deste ano de 2026 , eu estava num grande dilema pessoal: a maioria de minhas roupas estavam, ou apertadas demais ou simplesmente nem cabiam mais em mim. Aí vem aquele papinho “Ah, exagerou do réveillon!” , “ É só comer direito, se exercitar, meditar, agradecer ao universo e repetir isso todos os dias…” . Tem de tudo, você sabe. Conversar com alguém sobre seu peso, sobre como se sente com sua auto imagem sem ser julgada é muito difícil, eu diria até mesmo raro. Por que não se trata de um “deslize” qualquer de exagerar naquela feijoada de sábado ou todos aqueles bolos e docinhos do aniversário que você foi, não! Não é sobre isso que estou falando . A compulsão alimentar, como já disse em meus textos anteriores (recomendo a leitura, caso não tenha visto ainda), que ela está sempre ali, do meu lado, esperando pela distração, por aquele deslize e sem perceber, se repete e de novo, e de novo…Sem você se dar conta que não é apenas uma “exceção” ou um “pequeno exagero” . E...

Da vez que me perdi correndo de mim mesma

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  Eu pratico corrida de rua. Sim, sou uma atleta (amadora, mas sou). Eu sei: provavelmente você convive com alguém que corre também seja em casa, no trabalho, entre seus amigos ou em algum dos lugares que você frequenta TERÁ UM CORREDOR DE RUA!  Eles estão em todo lugar! ,(risos). Mas assim, eu comecei a correr no final de 2018, no auge do verão de uma cidade encalorada onde eu morava nessa época, sem vento e sem praia. E eu ouvi muitas vezes assim: "Correr no verão? Imagina! Muito quente, nem pensar!". Os meses passaram e chegou o inverno: "Nossa, levantar mais cedo e ainda nesse frio?  Dias com 6º, 10 graus? Melhor deixar pro verão!". Percebi que não havia um "bom momento" pra começar a correr ou fazer qualquer outro tipo de movimento.  E sabe por que comecei a correr?  Eu quando criança, sempre gostei de esporte, mas muito mais de assistir. Na escola, acompanha os jogos. No ginásio municipal, ver partidas mesmo sem saber quais times ou se era algum c...

Você tem fome de quê?

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O jantar foi marcado. Ah, que maravilhoso encontro: familiares e amigos num ambiente feliz e CHEIO DE COMIDA!  Ou aquela ida na cafeteria e reencontrar aquela pessoa que não vê há anos. Ou comemorar uma conquista pessoal.  Como de costume, a refeição se torna uma espécie de "ritual", sendo parte do nosso convívio social - podendo se tornar um encontro elaborado e muitas vezes, demorado!  E isso é ótimo, não é mesmo?  Quem aí não gosta desse tipo programa, deixando aquele espacinho especial na agenda.  Mas, tenho que dizer: pra algumas pessoas, não é assim "tão bom". Muitas vezes, aquela pessoa que participa pouco, que evita frequentar restaurantes ou eventos - sempre envolvidos por MUITA COMIDA, não consegue sentir de forma tão natural quanto os demais.  Festas de aniversário ou até mesmo datas comemorativas como o Natal, se tornam uma verdadeira tortura e mal-estar.  Antes de prosseguir, eu te pergunto: você sabe a diferença entre bulimia, anorexia e ...

Val e seus ataques COMPULSIVOS DESTRUTIVOS

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É isso mesmo, ela me agrediu. E foi de uma forma que nunca tinha sido antes, neste anos de convivência. Fui realmente entender o que aconteceu somente dois dias depois.  Depois de muita dor e sofrimento. Pra quem convive com o Transtorno de Compulsão Alimentar e passa por certas situações, vai entender um pouco melhor sobre o que estou falando aqui.  Neste espaço onde eu chamo de Alimentando Vazios , esse transtorno que me acompanha há anos, mas que só a partir de 2022 eu comecei a tratar com profissionais de saúde, eu simbolicamente represento  através de um personagem que chamo de Val - que é o próprio transtorno materializado, segurando uma colher e uma garfo mas sem boca, na qual identifica essa sensação, essa angústia em querer comer loucamente, mas que não é por estar com fome. É um descontrole que pode ocorrer por  diversos fatores: genéticos, psicológicos, biológicos ou comportamentais. Quando disse que ela "me atacou" foi por que tive um episódio de uma cr...

Apenas dois ingredientes: leite condensado e um tênis de corrida

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  Outro dia, num canal de receitas “fáceis de fazer, com apenas 2 ingredientes”, estava lá a pessoa: numa cozinha super equipada, com todo o tipo de “corta, pica, tritura e chacoalha” , ingredientes de todos os tipos, cores, sabores e nacionalidades, uma recomendação feita em um de seus vídeos me chamou atenção. A pessoa em questão, disse também que estava “retomando as metas”, e que seria uma delas então voltar à atividade física, dividindo seu tempo entre academia e corrida. “É só calçar o tênis e ir”, já diziam os profissionais de métodos duvidosos e ferramentas prósperas de crescimento pessoal, profissional e sei lá mais o quê que eles prometem pra gente.  Comecei a pensar que realmente eram receitas “fáceis” de fazer, mas só que dentro daquele ambiente em que a pessoa preparava, ou seja, não era nada parecido com o lugar que eu tenho aqui. Sobre “ser decidido e retomar a atividade física”, acho que é ainda pior "jogar assim ao vento" esse tipo de afirmação. ...

Brigadeiro Vegano anos 80

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Pois é, receitas veganas já me acompanham há décadas (riso irônico). Estou falando do brigadeiro que eu e meus irmãos fazíamos nos intervalos de “Curtindo a vida adoidado” assistindo na Sessão da Tarde pela décima quinta vez (ou talvez um pouco mais que isso).  Baita receita. Vamos aos ingredientes: batata-doce cozida, açúcar e um tal achocolatado famoso da época - isso mesmo, Nescau. Tá certo, fui pesquisar. Se vai Nescau não é vegano, …Mas era o que tínhamos no momento.  Confesso que preparei pela primeira vez um brigadeiro de panela aos 19 anos, na casa de uma amiga daquela época. Achei tão sensacional! Pra mim foi uma grande descoberta: tanto o preparo quanto o ritual entre amigas, dividindo aquela panela deliciosamente achocolatada.  Comentei no post anterior sobre os questionamentos de uma “profissional da área de saúde de alimentos nutritivos meramente ilustrativos” sobre a “necessidade” de datas comemorativas estarem obrigatoriamente envolvidas com COMIDA. Não ...

A gente recomeça!

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Hoje eu assisti um vídeo, em que uma profissional de saúde (tendo como algumas de suas características mulher branca, cis, magra - aquela considerada padrão), questionando sobre o por que que as datas comemorativas são associadas a comida. Ela diz que passamos por dois feriados prolongados sendo Páscoa e Dia das Mães e pergunta: "Será que essas datas têm que ser pautadas na comida? " Ela ainda pede pra que suas seguidoras analisem pois "você não vai evoluir no seu objetivo..." e algo sobre "estar comprometida com seu objetivo" (de ficar magra, seja qual for a motivação, estética ou saúde). Fiz questão da descrição pois em alguns aspectos temos as mesmas características: mulher branca, cis, magra. Mas a realidade das pessoas é bem diferente, e vai muito além daquela foto bonita de prato com peixe assado, e 347 tipos de saladas que você posta pra dizer que almoçou "do jeitinho que a nutri mandou!".  Quando vejo algo assim, percebo que a questão...